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    Desperte com Energia

    Desperte com Energia

    Depois de uma noite bem dormida, nos sentimos dispostos e com energia para encarar todas as tarefas e desfrutar de uma vida saudável. Porém, quem não dorme bem ou priva-se de um sono com qualidade, vive sonolento e desenvolve diversas doenças a médio e longo prazo.

    Na entrevista a seguir, esclarecemos algumas dúvidas a respeito do sono em uma conversa com a médica pneumologista, mestranda e especialista em medicina do sono, Jéssica Fábia Polese, cooperada Unimed Vitória. O assunto é importante, afinal, passamos aproximadamente um terço da vida dormindo.

    Revista Viva: Qual a importância do sono para as pessoas?

    Jéssica Fábia Polese: Fundamental. O sono é responsável pela estabilização física e mental. Durante o sono ocorrem alterações essenciais na manutenção da vida, como liberação de hormônios, consolidação da memória e aprendizado. Quem dorme mal, acorda mal e vive mal.

    Revista Viva: O que aconteceria se não dormíssemos?

    Jéssica Fábia Polese: Sabemos que o sono é fundamental para a sobrevivência. A privação completa de sono leva a morte em dias, enquanto a privação de sono REM leva a morte em algumas semanas.

    Revista Viva: Então, o que aconteceria se as pessoas dormissem muito pouco, uma ou duas horas por noite?

    Jéssica Fábia Polese: A privação da quantidade de sono, de forma espontânea, como, por exemplo, nas pessoas que se obrigam a dormir pouco, por exigência da sociedade moderna, ocasiona em longo prazo doenças como obesidade, hipertensão arterial e problemas cardiovasculares, entre outros. O esperado é que a pessoa durma de seis a oito horas por noite, alguns dormem mais, outros menos, mas essa é a média. Durante a noite ocorrem os chamados ciclos do sono, onde o indivíduo passa pelos estágios 1, 2, 3(e 4) e REM. Essa sequencia se repete em torno de cinco a seis vezes por noite. A necessidade de sono depende de quanto tempo se gasta em cada ciclo.

    Revista Viva: Por isso algumas pessoas precisam de menos horas de sono?

    Jéssica Fábia Polese: Sim, isso é fisiológico e depende de cada indivíduo. O importante é o indivíduo se sentir bem com sensação de estar descansado ao acordar.

    Revista Viva: A necessidade de sono é diferente em diferentes faixas etárias?

    Jéssica Fábia Polese: Adolescentes precisam dormir um pouco mais devido às mudanças hormonais e os idosos, em geral, dormem um pouco menos. O adolescente tem tendência a dormir mais tarde e acordar mais tarde. Essa dificuldade em iniciar o sono é fisiológica do adolescente, devido a alterações hormonais. Já com os idosos é o contrário, eles têm tendência de dormir mais cedo e acordar mais cedo. Já as crianças recém-nascidas precisam dormir mais e normalmente precisam cochilar durante o dia.

    Revista Viva: As pessoas que dormem cinco horas ou menos por noite conseguem ter o mesmo desempenho físico e mental de pessoas que dormem em média oito horas?

    Jéssica Fábia Polese: O tempo de sono necessário depende de cada indivíduo. Existe alguns indivíduos que se satisfazem com menos tempo de sono, mas é uma minoria. O que ocorre atualmente, é que a sociedade moderna tem necessidade de funcionar 24 horas, ou a necessidade de trabalhar em regime de turno, levando assim à privação espontânea de sono.

    Revista Viva: Dormir durante o dia faz bem para ganhar disposição?

    Jéssica Fábia Polese: Em algumas famílias a sesta é ensinada desde a infância. Nesse grupo a pessoa já se acostumou, então não faz nem bem nem mal. Mas o correto seria dormir apenas à noite, pois o ser humano tem hábitos diurnos. Porém, se a pessoa está cansada, ela pode parar e tirar um cochilo antes de continuar as atividades. Esse cochilo pode melhorar o desempenho e a disposição para continuar o trabalho. Uma observação é quando o indivíduo, sem nenhum motivo, passa a ter necessidade de dormir durante o dia ou se sente muito sonolento. Isso pode ser um sinal de problema durante o sono, seja na quantidade ou na qualidade do sono, devendo ser levantada a suspeita de algum distúrbio do sono. Se você está com sono durante o dia, pode parar e dormir durante alguns minutos, mas se essa sonolência se repete sem motivo definido deverá ser investigado quanto à possibilidade de distúrbio do sono.

    Revista Viva: A sesta após o almoço é uma boa forma de ganhar disposição?

    Jéssica Fábia Polese: Sim, mas no máximo 30 minutos e apenas se estiver cansado, pois o correto seria a pessoa não ter necessidade de dormir durante o dia. O dia deve ser usado para ficarmos acordados e a noite para o sono.

    Revista Viva: É possível “treinar” o corpo para passar a dormir menos horas por noite? Isso é saudável?

    Jéssica Fábia Polese: O indivíduo se adapta as mais variadas situações, mas em longo prazo virão as consequências negativas, tanto nos aspectos físicos quanto psíquicos.

    Revista Viva: Existem pessoas que dormem muito bem, outras nem tanto. Como é possível melhorar a qualidade das noites de sono?

     Jéssica Fábia Polese: O sono tem muito a ver com a parte emocional. Pessoas preocupadas, por exemplo, podem ter dificuldades para dormir ou referirem sono não compensador. Não conseguimos separar o estresse e a agitação do dia e “desligar” tudo para dormir bem, o que seria o ideal. As coisas que se passam durante o dia podem interferir na noite e no sono. Então, a primeira providência seria levar uma vida mais tranquila, se preocupar menos e evitar ao máximo os momentos de estresse. Para a pessoa dormir bem, precisa estar bem emocionalmente. Existem também os fatores externos e o ambiente do quarto precisa estar propício para o sono. A televisão é um grande problema que para alguns ajuda, mas em geral atrapalha. A luminosidade e a temperatura precisam estar adequadas para dormirmos bem. Muita luz, barulho e altas temperaturas atrapalham nosso sono. Até mesmo a leitura atrapalha e não ajuda o início do sono, pois sendo interessante pode gerar insônia ou atrasar o início sono. A prática de atividade física é uma das ações que mais ajudam a qualidade do sono, mas devem ser realizadas com, no mínimo, duas horas antes do horário de dormir.

    Revista Viva: Por que algumas pessoas possuem facilidade em acordar cedo e com disposição e outras nem tanto?

    Jéssica Fábia Polese: Isso é que chamamos de preferência individual. Existem as pessoas matutinas, as vespertinas e as indiferentes. Os indivíduos matutinos acordam mais cedo, animados e bem dispostos. Os vespertinos preferem acordar mais tarde e escolhem trabalhar à noite, às vezes chegam ao consultório com queixa de insonia. Os indivíduos indiferentes não se importam em acordar mais cedo ou mais tarde. A maioria das pessoas é vespertina ou indiferente. Sabendo dessas diferenças, podemos orientar em algumas mudanças de hábito que favorecem o bem estar.

    Revista Viva: Por que algumas pessoas dizem que “acordam cansadas” em algumas situações?

    Jéssica Fábia Polese: Esses indivíduos possivelmente estão com algum problema na quantidade ou na qualidade do sono.

    Revista Viva: Quais os sintomas de uma pessoa que tem má qualidade no sono?

    Jéssica Fábia Polese: A pessoa acorda e fala que não dormiu ou que dormiu mal, acorda durante a noite e precisa dormir durante o dia. No caso da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono, o paciente tem muitos despertares, de maneira geral não se lembra de ter acordado muitas vezes, começa a ter hipertensão arterial inicialmente noturna e com o passar do tempo diurna, pode ter alteração de humor e até distúrbios psiquiátricos.

    Revista Viva: Quais os principais problemas de uma pessoa que dorme mal?

    Jéssica Fábia Polese: Precisamos definir se o indivíduo está se permitindo dormir tempo suficiente para manter sua saúde, ou seja, se dorme em quantidade suficiente. Então, se o indivíduo dorme em quantidade suficiente, precisamos definir se há algum distúrbio do sono. Os principais distúrbios do sono são a Apneia Obstrutiva do Sono, Síndrome das Pernas Inquietas e Bruxismo, que interferem diretamente na qualidade do sono. Também existe a Síndrome das Pernas Inquietas, onde a pessoa sente uma sensação desconfortável e tem a necessidade de massagear ou movimentar os membros, é uma doença que afligem muitos idosos e diabéticos.

    Revista Viva: Como resolver casos de pessoas que possuem problemas de Insônia e Apneia?

    Jéssica Fábia Polese: A insônia é a dificuldade para iniciar ou manter o sono e pode ser o início de um quadro depressivo. Para tratar a insônia, medicamentos, tratamentos comportamentais, psicoterapêuticos e atividades físicas ajudam. Já a Apneia é um problema respiratório, quando o ar para de entrar na via aérea devido à obstrução em nível de faringe. Nesse caso o tratamento vai desde emagrecer, desobstruir o nariz, fazer uma cirurgia otorrinolaringológica e até o uso de aparelhos ou máscara específica para manter a via aérea pérvia.

    Revista Viva: Medicamento, calmantes ou chás naturais são indicados para melhorar a qualidade do sono?

    Jéssica Fábia Polese: Os medicamentos são indicados principalmente quando o indivíduo não consegue começar a dormir ou quando acorda muito durante a noite, excluindo-se sua indicação para outros distúrbios do sono. Temos que tentar definiros motivos que resultam no distúrbio do sono. Para iniciar e manter o sono, podemos utilizar medicação específica. Chás, leite quente, banho morno e outros “rituais” são facilitadores do início do sono. A rotina realizada antes de iniciar o sono é importante para a pessoa entender que está na hora de dormir.

    Revista Viva: Qual a importância dos sonhos durante o sonho? Por que eles ocorrem?

    Jéssica Fábia Polese: De certa forma, os sonhos ainda são uma incógnita para a ciência. Sabemos muito pouco a esse respeito, mas é durante o estágio REM que ocorre a grande maioria dos sonhos. Os sonhos são mais pesquisados por especialistas da mente humana, pois tem a ver com subconsciente. Do ponto de vista fisiológico, sabemos, através de exames de eletroencefalograma, que a atividade psíquica nos sonhos é a mesma de quando se está acordado, porém a pessoa não tem tônus muscular quando está sonhando.

    O CICLO DO SONO

    Estágio 1: Fase superficial. Início do sono. Por volta de 5% do tempo de sono;

    Estágio 2: Fase intermediária. Entre 45 a 55% do tempo de sono;

    Estágio 3 e 4: Sono de ondas lentas. Liberação de hormônio de crescimento. Mais de 15% do tempo de sono;

    Estágio REM: Onde acontecem os sonhos. De 20% a 25% do
    tempo de sono.

    Fonte: Médica Pneumologista Jéssica Polese

     

    Fonte: Portal Unimed
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