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    Dormiu no ponto? Você pode sofrer de Narcolepsia

    Dormiu no ponto? Você pode sofrer de Narcolepsia

    Você sente muito sono durante o dia? Após uma noite mal dormida, é comum estar sonolento. Porém, recuperadas as horas de sono perdidas, deveríamos estar novamente dispostos às atividades do dia. Entretanto, algumas pessoas se destacam pela excessiva sonolência diurna – chegam até a cochilar em pé numa fila, no ônibus, dormem enquanto conversam no meio de uma festa, entre outras situações muitas vezes constrangedoras.

    Essa característica, comumente mal rotuladas de “preguiça” ou “indolência”, na verdade, é o principal sintoma um distúrbio do sono chamado Narcolepsia: uma doença benigna, cujo diagnóstico não é de tão fácil entendimento, sendo confundido muitas vezes com a epilepsia, por exemplo.

    “É um tipo de sonolência diferente. Os narcolépticos não conseguem controlar esse sono repentino, e não importa o quanto dormiram durante a noite. É realmente perigoso: eles têm ataques de sono a qualquer momento, e em qualquer situação”, explica a Mestre em Medicina e Biologia do Sono, Jessica Polese.

    Dentre todas as características que definem o distúrbio, a cataplexia (perda/relaxamento de força muscular desencadeada durante o sono REM, por exemplo) é o único representante próprio da narcolepsia. O narcoléptico pode entrar de repente nessa fase do sono – daí o perigo e a necessidade de tratamento. Dirigindo, operando máquinas que exigem muita atenção e reflexo, entre outras atividades que podem ser comprometidas pelo “cochilo” repentino, uma vez que, geralmente, são muitos os episódios de sono irresistível que podem acontecer durante um dia.

    O diagnóstico não é fácil de ser feito. Nem para especialistas, tampouco para leigos. “Diferente de quem sofre de apneia do sono, onde o ronco, por si só, já é um forte agravante e sintoma comumente conhecido, quem sofre de narcolepsia costuma acordar bem disposto e só após duas horas sente sonolência, enquanto no outro caso a pessoa acorda ainda cansada, com sono; às vezes com mais, até, do que quando foi dormir”, explica Jessica.

    Uma vez levantada a suspeita do distúrbio narcolépticos, indica-se que o paciente se submeta a exames do sono, como a polissonografia, na qual se observa durante toda a noite o paciente dormir e a qualidade deste sono, e também a um teste das latências múltiplas do sono durante o período diurno.
    Tratamento

    A importância de se diagnosticar o quanto antes é para proteção da vida. Narcolepsia pode ser a causa de acidentes de trabalho e de trânsito, por exemplo. O indivíduo com a doença precisa ter conhecimento dela, e tomar as devidas precauções, pois pode colocar não só a vida dos outros em risco, como a própria também. “O início do tratamento é na adolescência, por isso pode prejudicar a vida do indivíduo, pois atrapalha muito nos estudos e na vida profissional. Um tratamento para o resto da vida”, explicou Jessica.

     

    Não confunda

    Muitas pessoas confundem Narcolepsia com Epilepsia. Não há correlação nenhuma entre as duas doenças, apesar do mesmo sufixo (que quer dizer “ataque”). A Narcolepsia acontece por uma alteração no equilíbrio entre algumas substâncias no cérebro, alguns neurotransmissores; ao contrário da Epilepsia, provocada por atividades elétricas anormais do cérebro.

     

    Serviço:

    Jessica Fábia Polese

    Formada em medicina pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e especializada em pneumologia. Jéssica Polese também é mestre em Medicina e Biologia do Sono pelo Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal da São Paulo (UNIFESP) e atua como diretora de serviços e responsável pelo Laboratório do Sono VIVERA.

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